Suponhamos que teus olhos sejam o céu estrelado cujo meus olhos querem permanecer olhando a noite inteira. Suponhamos que o teu colo seja o berço o qual meu corpo quer se deitar, e que teus braços sejam a minha película protetora. Suponhamos que o vento da noite fria traga-me seus doces sussurros silenciadores, que me traga o aroma que você carrega em seu corpo, que me traga você em forma de sonho. Suponhamos que todas as vezes que minhas pálpebras irem de encontro uma à outra, meus pensamentos sejam tomados por quaisquer coisas que me faça lembrar você. Que teu sorriso se confunda em meio ao brilho das estrelas, que ele ilumine minha vida, que seja a felicidade sustentável da minha vida. Que teu sorriso nunca se perca na escuridão, que venha de encontro ao meu coração. Suponhamos que a vida sem tu tenha menos eu. E que sem tu e eu nunca exista nós. E se não existir nós? Existirá uma existência individual e extremamente vazia. Uma existência solitária e esperançosa. Uma existência que vive, busca, sonha e conclama. Suponhamos que nos encontremos nas linhas dos versos de Cecília Meireles, que vivemos uma história escrita por Mario Quintana, que sejamos tomados pela felicidade de Nicette e Goulart. Suponhamos sejamos obras de artes, pinturas clássicas e obras modernas. Que sejamos livros também. Kafka estaria lendo-nos agora, se pudesse. Suponhamos que sejamos de Marte, Vênus, de Mercúrio. Que sejamos do mundo. De quê mundo? Desse mundo de loucos, meu Deus. Somos loucos, todos loucos. Alguns loucos de amor, outros loucos de dor. Outros apenas, loucos.
Bruno Grey.